Fundação Municipal de Cultura Prefeitura de Belo Horizonte

DE 15 A 22 DE OUTUBRO

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Curadoras do FAN 2017 – foto: Ricardo Laf

A curadoria em um festival é responsável por definir o conceito que norteará o tema do evento. A partir do tema são estabelecidos participantes, programação e locais em que o festival será realizado. A função da curadoria no FAN é a de colaborador no conhecimento e reconhecimento das artes e culturas negras no Brasil e no mundo para composição de uma programação que guarneça a cidade.

Para composição da programação do festival as experiências dos curadores no universo negro das artes, culturas, ações afirmativas, educação e religiões de matriz africana são fundamentais para formatação de um festival diversificado e coerente.

O curador procura estabelecer um link entre os cidadãos, artistas, Prefeitura de Belo Horizonte e demais instituições parceiras.

 

FAN MULHER

As mulheres não formam um grupo homogêneo. Cada mulher reúne em si diversas identidades, diferentes culturas, etnias, orientações sexuais, idades, credos, cores e outras características. Evoca-se, a partir dessa escolha, a necessidade de abordarmos as especificidades de gênero da mulher negra, desde as relações de trabalho e educação, como também nas relações afetivas, abrindo aí um importante recorte para o que chamamos feminismo negro.

Considerando-se que o século XXI é, definitivamente, o século das Mulheres, um conjunto de informações e acontecimentos dão conta de um movimento de empoderamento que não cessará nos anos que estão por vir. Colocar a mulher ao centro de um festival como o FAN-BH,que tem como eixo as Artes Negras, significa retomar simbólica e politicamente o lugar do matriarcado. Significa referendar nossas Yabás e Yalodès – nossas GELEDÉS – Expressão máxima do Poder feminino de onde tudo que é vida emana.

Desde os cabelos crespos cada vez mais altos e bonitos, passando pelos turbantes que coroam nossas cabeças, pela ocupação cada vez maior dos espaços acadêmicos e de decisão.  É, portanto, mais um importante passo para o reconhecimento de uma geração de mulheres que permanecem cumprindo seu legado pela manutenção de um povo.

Que a despeito de toda a tragédia sofrida pela escravização e de toda violência gerada pelo racismo estrutural, pelo machismo e pela misoginia, fica cada vez mais evidente que não há mais como cessar o movimento dessas águas de Oxum. Não há mais como evitar a ventania e o trovejar das palavras de Iansã. Não há mais como impedir o grito por direitos de Obá, nem a acalanto da grande Mãe Nanã. São vozes de mulheres que cantam e dançam para a vida e para o mundo.

Celebramos a 9ª edição do FAN-BH e seus 22 anos de existência, no terceiro ano da Década da Afrodescendência (instituída pela ONU em 2015 como forma de refletir sobre as descendências africanas e também valorizar o fruto de sua diáspora pelo mundo). E, nesta edição, faremos uma saudação especial àpersonagens femininas emblemáticas como Joaquina Maria da Conceição da Lapa, a Lapinha. Primeira cantora lírica negra brasileira de que se tem registro de atuação fora do Brasil, na virada do século XVIII para o XIX.

A atuação de Joaquina, a interpretar compositores como Giovanni Paisiello, Giuseppe Sarti, Marcos Portugal e Antonio Leal Moreira, aparece em registros de jornais de Lisboa e Porto e em relatos de 1795 até 1796, período em que se intensificam os registros da participação de cantoras líricas famosas e aclamadas representando papéis em óperas na Europa. Com esse resgate histórico, destacamos que nossas raízes estão no samba, nos tambores, nos terreiros e também estão nos cantos e orquestras da música erudita. Protagonistas que souberam dar sentido ao significado do ser mulher vencendo os estereótipos impostos e ocupando os mais diversos espaços.

Carlandréia Ribeiro, Karu Torres, Luciana Gomes – Dj Black Josie.

 

Carlandreia Ribeiro

Cantora, atriz, arte-educadora e produtora. Possui larga experiência na cena negra de BH, e de outras partes do país e foi curadora de projetos pela Funarte.

Entre os seus destaques estão os trabalhos como Dramaturga e atriz em “Memórias de Bitita, o coração que não silenciou”, inspirado na vida da escritora Carolina Maria de Jesus, e “Contos Africanos e Afro-Brasileiros”

Karu Torres

Pesquisadora das artes e cultura negra e produtora de edições anteriores do FAN-BH e do Centro Cultural da Casa África, com experiência em manifestações artísticas diversas, incluindo música, teatro e exposições. Além da produção em projetos ligados a segmentos variados das artes e artistas da cidade, ela atua em trabalho de destaque no cenário brasileiro, a exemplo da cantora Fabiana Cozza.

Luciana Gomes (DJ Black Josie)

Musicista, produtora cultural e relações públicas Luciana Gomes reúne suas habilidades e experiências profissionais para dar vida à DJ Black Josie, “persona” criada por ela em 2004, após sua experiência na música erudita frente ao Grupo de Estudos de Música Histórica, Cameratta Lusittana. Atualmente dedica-se a divulgação e pesquisa da soul music e sua reverberação no Brasil, além de ser DJ residente  na pub e música latina Los Mariachis; onde apresenta sets de salsa, cumbia, merengue e outros ritmos latinos.